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Endoscopia por cápsula

Enteroscopia por cápsula; Colonoscopia; Esofagoscopia

Prof. Doutor Miguel Mascarenhas Saraiva

Enfermeiro Eduardo Oliveira


imagem: capsula.gif
A Endoscopia por cápsula é uma técnica endoscópica que permite o estudo do tubo digestivo, mediante a utilização de um dispositivo em forma de cápsula, que o doente engole sob supervisão médica e posteriormente elimina pelas fezes.


Consoante o segmento do tubo digestivo estudado, distinguimos:

Esofagoscopia por cápsula

Enteroscopia por cápsula (a principal utilização)

Colonoscopia por cápsula


Enteroscopia por cápsula

As actuais técnicas de endoscopia digestiva com fibroendoscópio permitem o estudo do estômago, do duodeno, do íleon terminal e do cólon. Pelas técnicas mais frequentemente utilizadas, não é possível o estudo endoscópico do intestino delgado.

Classicamente, os doentes com doenças do intestino delgado eram estudados com métodos de imagem, que apenas permitiam diagnosticar uma pequena percentagem destes.

As patologias do intestino delgado são de difícil diagnóstico, pois quer os métodos radiológicos, quer os métodos endoscópicos têm várias limitações.

Os métodos radiológicos (trânsito do delgado, enteroclise) acarretam uma exposição dos doentes a radiações, as imagens são difíceis de analisar, não há observação directa da mucosa, tendo uma sensibilidade e especificidade baixas.

Os métodos endoscópicos ( push enteroscopia, enteroscopia per-operatória, enteroscopia de duplo-balão) disponíveis até agora, apresentam igualmente uma série de limitações. A push enteroscopia apenas permite observar o terço proximal do intestino delgado, sendo um exame invasivo, demorado e desconfortável para o doente. A enteroscopia per-operatória implica anestesia geral e uma laparotomia.

A Endoscopia por cápsula é uma técnica endoscópica que permite o estudo, fundamentalmente, do intestino delgado, desde o angulo de Treitz até ao íleon terminal, mediante a utilização de um dispositivo em forma de cápsula, que o doente engole sob supervisão médica e posteriormente elimina pelas fezes.

A cápsula não vai ligada a nenhum fio ou cabo, e leva no seu interior um sistema de lentes e um emissor de imagens ,que são recolhidas num gravador que se transporta num cinturão, enquanto dura a gravação. No cinturão, além do gravador, encontra-se uma antena, que recebe o sinal emitido pela cápsula.

Para efectuar o exame, o doente terá que deglutir a cápsula, o que não apresenta dificuldade, após um jejum de 10 horas, e em seguida poderá efectuar as suas actividades habituais; enquanto isso a cápsula percorre o tubo digestivo propulsionada pelo peristaltismo intestinal, captando as imagens do tubo digestivo sem qualquer desconforto para o doente. Ao fim de 9 horas o exame está terminado, sendo a informação armazenada no registador, que o doente transportava à cintura, gravada para o computador, processada pelo software e interpretada pelo Gastrenterologista.

Actualmente a indicação major é a hemorragia digestiva de origem obscura.

Outras indicações importantes são: as doenças inflamatórias intestinais (ex, pesquisa de doença de Crohn no delgado), pesquisa de tumores no intestino delgado e seguimento de poliposes. Em estudo estão também a possibilidade da utilização deste método no doentes com VIH, no estudo da diarreia crónica e no síndrome do intestino irritável.

As contra-indicações são poucas. A principal é a suspeita de oclusão intestinal, não sendo aconselhável em grávidas.

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